«Zeca nunca se arrependeu de nada. Como o próprio disse, “acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é o que fica”. E o que é que ficou da sua vida? Uma obra imensa composta por canções que, para a historiadora Irene Pimentel, “acabaram por transformar-se em hinos”. Grande parte da sua vida discorreu por entre as cordas enigmáticas da guitarra. »

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«Chegado o ano de 1940, partiu para Coimbra e matriculou-se no Liceu D. João III. Zeca Afonso estava no quinto ano do liceu quando abraçou convictamente a vida boémia e passou a cantar de forma assídua. Passado algum tempo, a sua voz já ecoava pela cidade velha. Em 1948, após dois chumbos, completou o liceu e abraçou por completo a vida de farra universitária. Jogou futebol pela Académica e fez parte tanto do Orfeão Académico como da Tuna Académica da Universidade de Coimbra. Neste ano, apaixonou-se por Maria Amália de Oliveira, uma costureira de origem humilde. Casaram em segredo devido à oposição dos pais. Zeca entrou no curso de Ciências Histórico-Filosóficas, da Faculdade de Letras, em 1949. »

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«Mas Zeca não parou de se meter. Em 1962, participou activamente na crise académica. Parte para Faro em busca de uma largueza de horizontes que não conseguia encontrar em Coimbra. Aqui, conheceu Zélia, com quem viria a casar-se. »

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«A morte apanhou Zeca Afonso no dia 23 de Fevereiro de 1987. O funeral realizou-se no dia seguinte. Setúbal transformou-se numa cidade de amigos. Eram mais de 30 mil a prestar homenagem a um homem que, segundo Maria do Céu Guerra, “ensinava a pensar, ensinava a sentir”.

O “revolucionário lírico”, expressão utilizada pelo historiador José Medeiros Ferreira, passou a fazer parte da matriz de Portugal. Zeca Afonso foi um revolucionário que nunca deixou de perseguir aquilo que sonhou. »

in RTP

publicado por Bunny às 11:45